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INSERÇÃO DO PSICÓLOGO NOS CENTROS DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES. CFCS – AUTOESCOLAS.

Marcelo da Fonseca Ferreira silva[1]

Adriana Caetano Bastos[2]

“Não sabemos porque um instinto humano profundamente enraizado haveria de necessitar ser reformado por uma lei. Não há lei que ordene ao homem que coma ou beba ou que o proíba de pôr suas mãos no fogo. Os homens comem, bebem e não põe as mãos no fogo, instintivamente por temor aos castigos naturais e não legais. A lei não proíbe senão aquilo que os homens seriam capazes de realizar sob o impulso de alguns de seus instintos. O que a própria natureza proíbe e castiga não tem necessidade de ser proibido e castigado pela lei. Assim podemos admitir sem vacilação que os crimes proibidos por uma lei são crimes que muitos homens praticariam por inclinação natural. Se as más inclinações não existissem, não haveria crime, e se não houvesse crime, não haveria necessidade de proibi-los.”

                                               James George Frazer (Atropólogo – 1854 a 1941)

Resumo: A inserção da Psicologia do Trânsito no Centro de Formação de Condutores tem o principal Objetivo de desenvolver novas formas de percepção do trânsito, com a transformação do comportamento. Com Foco na preservação da Vida. Essa pesquisa foi feita e idealizada em artigos do serviço social.

INTRODUÇÃO

A psicologia do trânsito é uma “área da psicologia que investiga os comportamentos humanos no trânsito, os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam e o alteram” (Conselho Federal de Psicologia, 2000, p. 10).

Na esfera de estudo desta área, temos então: o Homem, a Via e o Veículo, sendo o Homem o mais complexo de todos, trazendo assim a necessidade de estudo sobre o comportamento no trânsito e os fatores desencadeantes, sejam internos ou externos, conscientes e inconscientes que trazem prejuízos ou benefícios ao bom andamento e a boa convivência no trânsito, que engloba todos os usuários de nossas vias.

Com as estatísticas, que revelam que a violência no trânsito é a segunda maior causa de morte no país, à frente até de homicídios, um efeito do desrespeito às leis e da má qualidade dos motoristas, existe a preocupação de estudar, elaborar projetos, de pesquisar, a exemplo de outros países, visando melhorar nossa realidade no Trânsito, com intuito de preservar a Vida e reduzir danos.

“Costumam-se apontar a precariedade das estradas, a infraestrutura deficiente, a falta de ciclovias e as falhas na sinalização como as causas para as tragédias no asfalto. Também se afirma que os carros vendidos por aqui, que não passam nos padrões de segurança europeus, são verdadeiras armadilhas letais sobre rodas. Todos esses fatores aumentam os riscos, mas a maior razão para o massacre no trânsito é que nós, brasileiros, dirigimos muito mal. Mais de 95% dos desastres viários no país são o resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia. Um estudo recente do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da Fundação Getúlio Vargas revelou que 82% dos brasileiros acham fácil desobedecer às leis no país. E o fazem mesmo quando os maiores prejudicados são eles próprios.” (Trecho da reportagem – Morre-se mais em acidentes de trânsito do que por câncer, publicado na Revista Veja 21/12/2013)

Em vista de toda a problemática que envolve nosso trânsito tão preocupante e que diariamente, assistimos, ouvimos, e presenciamos acontecer em nosso dia a dia, perdas de vidas, de forma tão estúpida e muitas vezes, evitáveis, será que existe algo que possamos apresentar para melhorar? Onde estamos errando? Há solução? As Leis são eficientes ou a fiscalização é ineficiente?

A Psicologia do trânsito vêm ganhando visibilidade nos últimos anos, pois o profissional desta área torna-se indispensável na compreensão do comportamento no trânsito, bem como em todos os processos de avaliação, através dos testes aplicados nas agências credenciadas junto ao DETRAN, a fim de estabelecer uma concessão no que diz respeito às práticas e direitos de conduzir veículos. Pensando assim, a questão aqui, que se faz presente neste projeto, é a necessidade de se implantar a Psicologia do Trânsito nos Centro de Formação de Condutores.

Atualmente, a Psicologia do Trânsito é identificada apenas como Psicotécnico. Mas este profissional pode e deve ter maior colaboração/contribuição neste sistema, visto que a complexidade do Homem, principal responsável neste processo, é sem dúvida, nossa maior preocupação, assim como objeto de estudo e exclamações, afinal, a Psicologia do Trânsito tem como foco o estudo do comportamento do homem nas rodovias e nas redes viárias de urbanização.

A seguir, sugestão de trabalho, com a contribuição do profissional desta área, nos Centros de Formação de Condutores.

Metodologias

Aulas teóricas, Técnicas de dinâmica de grupo e jogos que possam estimular a discussão e reflexão dos conteúdos.

DURAÇÃO: 2 (duas) a 4 (quatro) horas por grupo, dando início ao Processo no CFC.

Divididos em: aulas teóricas e dinâmicas de grupo

Desenvolvimento

  • Integração do grupo, com apresentação de Slides, vídeos e matérias da mídia, com conteúdo e estatísticas de acidentes de trânsito; da complexidade humana, fatores causadores de violência e acidentes no trânsito, provenientes do comportamento emocional e físico. Abordar assuntos como, Stress, qualidade de vida, Higiene do Sono, alcoolismo, e instinto de segurança. Preservação da Vida.
  • Dinâmicas de grupos/jogos (elaboração de conteúdo pertinentes ao trânsito, tais como: Espaço público X Espaço privado, Comportamento Individual X Comportamento Coletivo, Cidadania, Contribuição individual)
  • A partir do desenvolvimento da dinâmica propor a discussão dos temas, em confronto com o que ocorrer no próprio grupo.

Exemplo: como o grupo conduziu o trabalho? De forma mais individualizada? A que tipo de resultados conduziu? Qual a relação entre o exercício realizado e o trânsito? Quais as semelhanças e as diferenças com a vida real? Que dificuldades surgiram em compartilhar espaços em comum? Como foram superadas? E no trânsito? Que dificuldades há em compartilhar o espaço público? Ele é público? Quais os limites? E etc.

  • Organizar as conclusões do grupo. Registrar em cartazes, ou Slides, ou quadro de giz, e compartilhar as conclusões.
  • Cada integrante elabora seu compromisso pessoal. Perceber a nova Consciência de Trânsito, construção e desenvolvimento do sentido coletivo e individual.
  • E por fim, identificar e programar avaliações de futuros condutores, que por ventura, apresentarem qualquer dificuldade, demonstradas em forma de algum tipo de fobia ou ansiedade, acompanhando os mesmos até a conclusão de todo processo para a 1ª habilitação. Detectar críticas e sugestões, que possam contribuir para os próximos processos, assim como desenvolver estratégias de acompanhamento dos condutores em formação, nas aulas práticas, quando se fizer necessário.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Proporcionar aos condutores em formação a oportunidade de discutir o assunto “trânsito”, identificar o envolvimento e a responsabilidade de cada um nessa atividade, promover o conhecimento e a reflexão sobre a transformação que podemos atingir, a partir de uma nova construção humanizada do Trânsito e de suas contribuições individuais;
  • Despertar no condutor em formação, a consciência sobre o próprio comportamento, os riscos e os benefícios envolvidos e a responsabilidade individual de cada um dentro da sociedade, do trânsito;
  • Promover a mudança de comportamento no trânsito a partir das vivências de situações análogas em ambiente controlado, através de dinâmicas de grupo.

Não podemos ignorar que uma análise detalhada da tarefa do condutor de veículos revela uma infinidade de fatores, cada um dos quais pode ser importante para se evitar um acidente, e merece, portanto ser assunto de estudos contínuos; a Psicologia do Trânsito pode contribuir para a redução de acidentes, oferecendo subsídios para garantir a todo seres humano condições de maior segurança e conforto no trânsito, com o objetivo de reduzir as ameaças de perder a vida e continuar alimentando sua fonte de estudos para cada vez mais e melhor, poder contribuir com o desenvolvimento de nossos condutores.

O papel da Psicologia nos Centros de Formação de Condutores deve ser o de resgatar o sentido Coletivo, integrando a responsabilidade das ações individuais a partir de uma experiência e perspectiva coletiva.

Esse projeto deverá fazer parte integrante do Código De Trânsito Brasileiro – CTB, No Capitulo XIV, Dos Seus Respectivos Artigos E Da Resolução 168 Do Contran.

CONTRIBUIÇÃO BIBLIOGRÁFICA

ROZESTRATEN, Reinier J. A. Psicologia do Trânsito: conceitos e processos básicos. São Paulo: EPU, 1998

Reportagem Veja 21/12/2013: Morre-se mais em acidentes de trânsito do que por câncer (reportagem de André Eler, Kalleo Coura e Tamara Fisch)

Conselho Federal de Psicologia.

Código de trânsito brasileiro.


[1] Pedagogo, Mestre em politicas publicas, Especialista em direito, educação, segurança e gestão de trânsito, e direito da Associação dos Instrutores de trânsito, diretor geral, diretor de ensino e todos os trabalhadores de autoescolas – CFCs do Espírito Santo.

[2] Psicóloga com CRP 16/2712 16ª Região

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