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Brasília, Brasil agora permite que as mulheres escolham onde descer do ônibus à noite

Ao decidir entre os modos de transporte, os viajantes consideram várias variáveis, tipicamente incluindo conveniência, custo, tempo, confiabilidade e conforto. Outra consideração – que é particularmente importante para as mulheres – é a segurança percebida. Ninguém prefere o transporte público se isso requer caminhar longe de casa em uma estrada escura e deserta, mesmo que haja uma baixa taxa de criminalidade na área. Instintivamente, isso ainda parece inseguro.

Brasília, Brasil, adotou uma medida importante para melhorar a segurança das mulheres no transporte público. A partir de junho deste ano, as mulheres podem solicitar a retirada de ônibus em qualquer lugar ao longo de uma rota após as 22h – incluindo áreas que não são paradas de ônibus tradicionais. Os ônibus são obrigados a atender a essa solicitação e exibir informações para conscientizar os usuários sobre esse direito.

Um estudo sobre mobilidade urbana em Brasília buscou entender quais características podem prever melhor o comportamento do usuário no transporte. O estudo constatou que as preferências dos usuários resultam de uma combinação de como os próprios serviços de trânsito são projetados – incluindo locais de rota, custo e conveniência – e o perfil do usuário – seu sexo, idade, renda e razão para viajar. A nova lei de Brasília ajuda seu sistema de transporte a atender melhor os usuários sem exigir investimentos significativos em novas infraestruturas.

“O ponto de ônibus geralmente é longe quando estou voltando das aulas, e quando saio do ônibus quase não há ninguém nas ruas. Tenho que ter cuidado quando ando sozinha”, disse a universitária Amanda Stheffany Ferreira, de 19 anos, conforme divulgado pela Secretaria de Estado dos Transportes de Brasília (DFTRANS). Amanda agora é uma das muitas que podem descer do ônibus mais perto de casa.

Esta nova medida nos lembra de uma questão que, embora premente, muitas vezes é deixada de lado na concepção e gerenciamento de sistemas de transporte: gênero. A Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto das Mulheres criou até um grupo de trabalho focado na mobilidade urbana. A comissão encontrou viés masculino no planejamento e implementação de sistemas de transporte, seja porque as mulheres não têm representação igual em todas as áreas, ou porque os homens responsáveis não estão considerando a questão do gênero na configuração do sistema.

A cada 12 segundos, uma mulher sofre agressão sexual no Brasil, e a agressão sexual cresceu 165% nos últimos cinco anos. Todas as opções para reverter essa tendência alarmante devem ser consideradas. O papel da prefeitura é fornecer mecanismos para prevenir a violência e defender os cidadãos. Fornecer a opção de sair de ônibus mais perto de casa não resolverá o problema em sua totalidade. Por exemplo, o assédio pode até ocorrer dentro de veículos de transporte público – que as cidades também devem trabalhar para prevenir. Mas dar às mulheres flexibilidade para chegar mais perto de seu destino, ou em uma área melhor iluminada e menos vazia, é um passo na direção certa.

Apesar de apenas uma pequena parte da solução, a nova lei de Brasília é um passo na direção certa para prevenir a agressão sexual e tornar o transporte urbano mais seguro para as mulheres. Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil.
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thecityfix
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Um Comentário

  1. Percebemos, cada vez mais, que a crescente influência da mídia estimula a padronização dos relacionamentos verticais entre as hierarquias.

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